30.11.11

A luz do dia é pouco nítida e não te vejo nem em reflexos meus. O teu perfume desapareceu-me das entranhas geladas e já não te sinto pertinho do peito. A tua voz já me fugiu da memória ao ponto de não conseguir montar-te dentro da minha cabeça, numa imagem perfeita, como sempre consegui.
A tua saliva, o teu sangue, o teu suor. Evaporaste-te de mim, roubaste-me todos os pedaçinhos teus.
Agora não me lembro nem dos teus buracos feios e escuros, não me lembro do quanto gostava do sabor da tua pele. Não me lembro do verde dos teus olhos na habitual tentativa de caçar os meus. Não me lembro do cheiro das noites e das nossas manhãs clarinhas, morreste-me. Porquê, anjo mau ? Cansaste-te de morar em mim ? 
Anseio mais uma crise de saudade vomitada pelo teu perfume, quando me aparecer mascarado de vento, como de costume. E quero guardá-lo numa caixinha vermelha, como a cor do nosso sangue fundido e esconde-la no nosso quarto, segredo. 
Volta rápido a casa, anjo mau. Está muito frio lá fora. Enquanto não me voltas a destruir os sonhos vou continuar a arruma-los na gavetinha com o teu nome no meu coração pra quando chegares. Até logo, anjinho

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